Um presente para o namorado

8 06 2009

Tenho 19 anos e hoje, pela primeira vez, entrei num sex shop. Já conhecia os produtos, pela internet e tevê, e já tinha até decidido o que comprar para o dia dos namorados: géis comestíveis que aquecem ou esfriam em contato com a pele e alguns jogos. Obviamente, me sentia a mulher mais-segura-do-mundo enquanto me dirigia à loja.

Falar de sexo é comum para mim, apesar de gostar muito mais de fazer do que falar. Acontece que entrar naquela loja recolhida em um canto da cidade, meio escura e cheia de pênis de borracha e metal e acrílico e azul e preto e branco e vermelho e pequeno e grande e gigante e me olhando de todos os lados… Sim, foi um tanto intimidador.

A vendedora bem que olhava com desconfiança, enquanto a Tamara, que me acompanhava na aventura, mexia nos produtos das prateleiras com intimidade assustadora. Lembrei da voz de uma amiga: “vocês são tão puritanas!”. Resolvi focar:

- Quero ver aqueles géis que esquentam. E os jogos de dados. E cartas. Eu vi na internet…

Eu vi na internet? Como assim eu-vi-na-internet?! Senti um outdoor brilhando na minha testa, no qual se lia em letras garrafais a palavra NERD. Enquanto isso, a vendedora, que não parava de me chamar de linda, apontava para vibradores, chicotes e demais brinquedos que eu mal conseguia encarar.

Focar, Sílvia, focar.

Peguei o primeiro jogo de dados e o primeiro creme que vi pela frente e soltei um atropelado eu vou levar isso aqui.

Levei.

E até agora a palavra puritana não sai dos meus ouvidos. Onde já se viu, ficar com medo de pintos de borracha? Mas já tenho um plano: da próxima vez vou imaginar que são todos de verdade; talvez assuste menos.

Sílvia Mendes - que não sabia que tinha medo disso

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