por Sílvia Mendes
Permitiu-se ser boneca. De luxo e luxúria. Bochechas rosadas, lábios tão vermelhos que só vendo pra crer que era ela mesma, a moleca desgrenhada e despreocupada, que estava ali na sua frente. Até arriscou um vestido. Você riu, lembrou da Bety: a feia. Ah, não que fosse feia. É que nem todos conseguem perceber a beleza singular de um rosto sem maquiagem e uma blusa sem decote. O nariz fazia uma voltinha perfeita e os traços, ainda que assimétricos, formavam uma composição harmônica, bonita demais da conta. Mas quem é que repara nesse tipo de coisa? Você disse que reparava. Então você tira as presilhas da moda da cabecinha linda, pequena como todo o resto do corpo. Dá uma bagunçada nos cabelos longos e alisados. Calafrios, baby. “Agora que começou , termina”, ela diz com aquela cara de ninfomaníaca que você conhece bem. Ah, você não agüenta. Nunca agüenta, tão fraco e excitado que fica quando ela toma o controle. Faria qualquer coisa que ela o pedisse com aquele rostinho. Suas mãos, grandes, percorrem as curvas dela com força, mas sem pressa. Então, você tira o vestido e descobre que, debaixo daquela roupinha de boneca, está uma daquelas mesmas lingeries sexy de sempre. Daí você sussurra um “gostosa” e faz ela se lembrar de que não é menina, é mulher. Não é boneca, não pode ser boneca, porque o boneco é você – nas mãos dela. E ela não fica magoada por você não ter elogiado a produção; a produção é apenas fantasia & fetiche. Dela. Porque ela é como criança – e é assim que ela gosta de brincar.
adorei!
adorei o texto sílvia, você tem o dom pra coisa
parece que a gente encara o personagem.
amo você boneca!
:*